quinta-feira, 13 de outubro de 2011

"...Também não compreendo o corpo,  essa armadilha, nem a sangrenta lógica dos dias, nem os rostos que me  olham  nesta  vila  onde  moro,  o  que  é  casa, conceito, o que são as pernas, o que é ir e vir, para onde  Ehud,  o  que  são  essas  senhoras  velhas,  os ganidos  da  infância,  os  homens  curvos,  o  que pensam de si mesmos os tolos, as crianças, o que  é pensar, o que é nítido, sonoro, o que é som, trinado, urro,  grito,  o  que  é  asa  hen?  Lixo  as  unhas  no escuro,  escuto,  estou  encostada  à  parede  no  vão  da escada,  escuto-me  a  mim  mesma,  há  uns  vivos  lá dentro  além  da  palavra,  expressam-se  mas  não compreendo,  pulsam,  respiram,  há  um  código  no centro,  um  grande  umbigo,  dilata-se,  tenta  falar comigo, espio-me curvada, winds flowers astonished birds,  my  name  is  Hillé,  mein  name  madame  D, Ehud is my husband, mio marito, mi hombre, o que é um homem?..."

Obscena Senhora D
Hilda Hilst

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